Deus ouvindo rádio... Era música “popular” brasileira.

Postado por Cláudio Márcio | | Posted On segunda-feira, 17 de março de 2014 at 19:52


Por: Cláudio Márcio[1]

Estes dias tenho refletido a questão da “musicalidade” na minha trajetória de vida, trazendo na memória, sensações, lazer, mística... Mesmo entendendo que fui socializado em um contexto do “mundo protestante” (específico) de castração do corpo, dos desejos carnais e, isso implica em uma “negação” do mundo e de suas “ciladas”.

Desta forma, exemplifico aqui com o jargão comum na prática de muitos evangélicos que diz: “não se deve escutar músicas mundanas”, apenas, “músicas que louvem ao Senhor”. Sim, confesso que já fiz parte deste grupo, mas, em relação ao reggae não... O reggae sempre me fez bem.

Bem, as pessoas mudam por diversas razões e, que bom que é assim. Minha experiência musical não é padrão para ninguém. Contudo, fiquei chateado com o que me foi negado ao longo dos anos, pois, partindo do pressuposto de que existem protestantismos, fui infelizmente socializado, por um modelo que me negou uma certa brasilidade musical.

Tenho escutado nos últimos anos: Novos Baianos, Tom Zé, Tropicália, Elis Regina, Marisa Monte, Maria Bethânia, Adoniran Barbosa, Chico Buarque, João Gilberto, Tom Jobim, Noel Rosa, Pixinguinha, Lenine, Tim Maia, Jorge Ben, Vinicius de Morais...

Sei que para muitos leitores este texto “representa uma bobagem”, mas, para tantos outros “representa que eu não estou no caminho do Senhor”. Bem, honestamente, não estou preocupado com nada disso. Sinalizo apenas o quanto essa “brasilidade musical” me faz bem... É uma delícia!

Ah, encontro o sagrado aqui e, se não encontrasse, acho que não seria problema algum, pois, no “MERCADO GOSPEL MUSICAL”, eu não tenho encontrado o Cristo, mas, Mamon.

De qualquer maneira, esse Brasil “imagético” musical, não ocorre fora de disputas, de representações identitárias, de influências musicais outras e, de processos de permanência-mudança cotidianamente... Bem, saliento ainda um marco significativo (o religioso) na minha socialização, não o único, evidentemente.

 

 



[1] Reverendo da IPU em Muritiba-BA e estudante de Ciências Sociais da UFRB.