domingo, 1 de março de 2026

Quando Deus Brinca Conosco: Espiritualidade e o Riso das Crianças


Por: Cláudio Márcio Rebouças da Silva

Olá, irmãos e irmãs. Espero que estejam bem! Faz tempo que não escrevo para vocês, não é mesmo? De todo modo, estou de volta e espero, honestamente, conseguir manter um compromisso semanal com vocês. Muitas situações foram vivenciadas e, confesso, fica difícil escolher por onde seguir na escrita. Todavia, suspeito que a beleza e a potência das crianças não devem ser negligenciadas.

Rememoro outubro de 2025, quando comemoramos o Dia das Crianças em nossa comunidade de fé, a Igreja Presbiteriana Unida de Muritiba (IPU), com muita brincadeira no templo. Isso mesmo: no brincar, experimentamos uma espiritualidade profunda. Entre jogos, risos, gritos e provocações, o templo se tornou lugar de encanto, e Deus “brincou” conosco com muita alegria.

Penso que a comunidade de fé pode e precisa ser um lugar de vida. Também acredito que é importante sermos sensíveis para escutar as muitas vozes que as crianças expressam de maneiras diversas. Confesso que o riso espontâneo daquelas crianças me revelava a presença de Deus. Ali, ao perceber majoritariamente corpos negros humanizados, pude ouvir a voz do Sagrado me convidando a cuidar e a ser cuidado.

A voz divina sinalizava que o projeto da dignidade e da justiça não deve se afastar do nosso caminho. Lembrei imediatamente que o caminho da espiritualidade também precisa ser o caminho do serviço: Amar ao próximo em sua inteireza. Amar ao próximo em sua diferença. Amar ao próximo de forma tão real e intensa que sejamos capazes de ver seu rosto em alteridade permanente. Essa é uma espiritualidade encarnada. Concreta. Viva.

Trago essa reflexão como exercício de escuta empática e ativa — ferramenta imprescindível para a vivência da fé. Nossa comemoração do Dia das Crianças foi bonita e saborosa. Não me refiro apenas a brinquedos e lanches. Essa dimensão exige, sim, planejamento e doação coletiva, evidentemente. Porém, destaco algo ainda mais profundo: a capacidade da comunidade de fé de se reinventar. Na verdade, penso que, com essas ações, a comunidade se reencanta.

O riso das crianças, somando-se ao riso de adultos e idosos, na minha imaginação teológica, provocou um riso no rosto de Deus — um sorriso no canto da boca — e um sussurro dizendo: Essa IPU de Muritiba é uma bênção! Ela sabe brincar!