domingo, 22 de março de 2020

SABER OUVIR



Por: Cláudio Márcio R. da Silva[1]

“De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus” (Rm 10:17)

         O teólogo Rubem Alves fez uma excelente provocação ao dizer: “é preciso fazer curso de escutatória”, pois, segundo ele, somos bons em proferir palavras que tocam e motivam e na maioria das vezes damos um demasiado valor a oratória, isto é, a capacidade do discurso. Líderes religiosos e políticos sabem muito bem disso, uma vez que, além de um suposto carisma, buscam técnicas para uma “eficiente” comunicação. Esquecemos, pois, o quanto é enriquecedor ouvir o outro, compreender novos olhares e perceber que existem caminhos diferentes, mas nem por isso errados. “Portanto, meus amados irmãos, todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar” (Tiago 1:19a).

quinta-feira, 19 de março de 2020

Ele nos amou primeiro – nos reconciliou!


Por: Cláudio Márcio Rebouças da Silva[1]

Há uma herança da Reforma Protestante do século XVI, extremamente relevante, a qual precisa ser discutida e atualizada no século XXI, ou seja, me refiro a teologia da justificação. O que é isso? Ora, em um contexto social em que a ideia de Deus gerava sociabilidades, valores e modos de ser, o medo de Deus e a tentativa de (por méritos próprios) alcançar êxito era muito comum.
Desta forma, pensava-se que a salvação era obra humana e deveria apenas cumprir um conjunto de regras e dogmas como sinais dos desígnios de Deus. Assim sendo, “comprava-se a salvação” através do grande mercado da fé. Será que não há alguma semelhança com que encontramos hoje no Brasil e na América Latina realizado majoritariamente por grupos neopentecostais? Ora, quem ariscaria dizer que a “teologia da prosperidade” não funcionou conosco?

sábado, 14 de março de 2020

O processo da fé...



Por: Cláudio Márcio R. da Silva


O que de fato queres de mim?
Onde e como devo agir?
Aqui?
Ali?
Quero comunicar o Evangelho de maneira eficaz
Carrego ferramentas nas mãos
São adequadas?
Ainda são úteis?
Quero viver no processo da fé
Em gozo e esperança
Como suportar essa realidade caótico em solo brasileiro?
Como estabelecer uma relação mais crítica entre Igreja e Sociedade?
Como avançar no campo ecumênico Latino Americano?
É preciso superar a mercantilização da fé
O consumo de bens religiosos que alienam e escravizam
Meu repúdio a teologia da prosperidade
Minha indignação diante da bancada da bíblia
São lobos ferozes
Eu continuarei ouvindo o som da flauta
Dançarei
Seguindo e construindo o caminho
Ao ver um beija-flor penso:
Quanta beleza e magia.
O voo
A liberdade
Novas sementes e frutos
Sigo em fé-luta
Sigo com ternura no olhar


SUZART

quinta-feira, 5 de março de 2020

Levante-se! Pegue a sua maca e ande...


Por: Cláudio Márcio Rebouças da Silva[1]

            O Dia Mundial de Oração (DMO) nos convida a uma reflexão profunda, pois, se com o período Quaresmal devemos fazer um autoexame, silêncio, orações e jejuns, o (DMO) propõe tudo isso somando ainda com uma práxis emancipadora. O tema escolhido para este ano foi baseado em: "Levante-se! Pegue a sua maca e ande" (Jo 5.8). Assim sendo, lembremos do cantor de reggae do Recôncavo baiano, Edson Gomes, ao dizer: “e tens o direito de ser livre – ninguém neste mundo pode impedir, porém, não espere por esse direito: acorde, levante e lute”.

domingo, 1 de março de 2020

Quaresma e jejum...


  
A Quaresma é um período de valorizar as memórias dos tempos bíblicos, em especial o jejum e a oração, tão importantes para a fé cristã. É um período de ouvir a palavra de Deus com devoção e compromisso, de recordar o sofrimento e a morte de Jesus Cristo em favor de todos e de preparar a Páscoa do Senhor. Pode-se afirmar que a Quaresma tem três objetivos: o memorial, o teológico litúrgico e a atualização.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

Jesus e o samba da Mangueira...

Sobre Jesus e o samba da Mangueira
Por Augusto Amorim Jr.

Escrevo este texto por amor ao Evangelho e ao Samba. Evangelho enquanto centro da minha fé, existência e visão de mundo. Samba enquanto símbolo e presença de minhas raízes existenciais, culturais e históricas. Escrevo também enquanto participação nos diálogos dentro e fora das Igrejas a respeito do Samba da Estação Primeira de Mangueira deste ano, intitulado A Verdade vos fará livre.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

O que incomoda tanto no samba-enredo da Mangueira?



Por: Alexandre de Jesus dos Prazeres[1]

Por estes dias, recebi de um grupo de religiosos, recolhendo assinaturas, uma petição contrária ao samba-enredo da Mangueira que será entoado no sambódromo neste ano. O desconforto estaria sendo causado por trechos do samba como o seguinte: "Eu sou da Estação Primeira de Nazaré / Rosto negro, sangue índio, corpo de mulher / Moleque pelintra no buraco quente / Meu nome é Jesus da gente". O samba-enredo apresenta Jesus falando em primeira pessoa e se identificando com oprimidos e marginalizados pela sociedade: o negro, o índio, a mulher, o moleque pelintra, enfim os invisibilizados, os que sofrem.
Talvez nisto esteja uma das causas de incômodo, Jesus se identificando com quem não é benquisto nos ambientes nos quais, no geral, ricos são bajulados e pobres menosprezados. E ambientes religiosos não são isentos deste comportamento, principalmente onde é pregado que são abençoados por Deus os que possuem poder de consumo. Pois estas igrejas apresentam Deus como um deus de consumidores, que dizimam e frequentam cultos para obterem dez vezes mais condições para consumir. Quem não tem teto, roupas de grifes, carros, enfim prosperidade, não é abençoado por Deus. Como poderiam cogitar que Jesus estivesse na pele desta gente?

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

VAI BRINCAR...


Por: Cláudio Márcio R. da Silva[1]

“Os educadores, antes de serem especialistas em ferramentas do saber, deveriam serem especialistas em amor: intérpretes de sonhos” (Rubem Alves)

Um dia desses, na Escola Bíblica Dominical ( EBD), da Igreja Presbiteriana Unida (IPU) de Muritiba (cidade serrana do Recôncavo da Bahia), na turma das crianças aconteceu algo extraordinário, isto é, ao serem questionadas sobre a dimensão da fé e da oração, se já tinham uma experiência e uma resposta de suas preces, uma criança disse: " Eu tenho! Meu sonho era ter um carro de controle remoto.  Pedi a Deus e, no Natal aqui da igreja, imagina: ganhei esse presente!  Deus escutou minha oração não foi pró?".

domingo, 9 de fevereiro de 2020

Fé, subversão e esperança: João Dias, presente!


Por: Cláudio Márcio R. da Silva[1]

“Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João”. (João 1.6)

“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos”. (Mt 5:6)

Hoje (09-02-2020) faz 6 anos do falecimento do Rev. João Dias de Araújo. Confesso: ele faz muita falta! Como sua voz seria importante diante deste contexto fundamentalista e manipulador em que líderes religiosos-políticos em nome da família, dos bons costumes, da tradição, da religião, da bíblia, da fé e de Deus, constroem espaços de poder para oprimir e silenciar majoritariamente o “povo” brasileiro! São mercenários da fé e exploradores políticos, hipócritas! Pensam que fugirão da ira vindoura? Saibam que (assim como João Dias) “aos poderosos eu vou pregar, aos homens ricos vou proclamar que a injustiça é contra Deus e a vil miséria insulta os céus”.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

O tempo novo já chegou!



Por: Cláudio Márcio R. da Silva


“Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus". (Mateus 5:16)

               Ao ser iluminado pela luz do Senhor encontramos razão para viver e seguimos em luta, riso e esperança, pois, a compreensão que Ele nos amou primeiro, isto é, veio ao nosso encontro, nos abraçou e ofereceu um “novo óculos”, uma nova perspectiva na jornada, ou seja, mudou nossa vida.
               Desta maneira, como responder a esse imenso e real amor por nós? Como ficar calado ou omisso diante da graça de Jesus de Nazaré que nos libertou? Uma sugestão brota da antiga canção: “vamos nós trabalhar somos servos de Deus”, isso mesmo, colocar nossa existência e dons ao serviço do Senhor.