quinta-feira, 30 de julho de 2015

Senhor, grato com a possibilidade de ser dedo Teu...



Fiquei esses dias refletindo como alguns religiosos costumam se “esquivar” de compromissos cotidianos e jogam a responsabilidade para o Divino, onde, de algum modo, ainda que indiretamente, dizem: “tal situação se encontra assim e só o Senhor pode mudar”! Ora, essa afirmação é parcialmente “verdadeira”. Todavia, é demasiadamente “PERIGOSA” (como usava costumeiramente o saudoso Rev. João Dias de Araújo).
Perigosa na medida em que a experiência de fé pode-deve provocar processos de empoderamento de sujeitos sociais que buscam-promovem espiritualidades emancipatórias, acolhedoras e dialógicas. É preciso tomada de consciência (no contexto da fé cristã) da Graça de Jesus de Nazaré e, isso deve ser suficiente para sermos alguém melhor nas diversas funções e ou identidades que assumimos na caminhada.
Honestamente, penso que muitas vezes a fé está sendo vivida por muitos de maneira “infantilizada”. O problema não é “ser criança” (dependente dos seus responsáveis), mas, não perceber que já chegou à hora de cuidar e se tornar responsável por outr@s, “Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino” (I Cor. 13.11).  O problema é jogar nas mãos de Deus o que é responsabilidade nossa! Estou cansado!
Se Deus é apenas uma palavra em sua boca, nunca será o dedo dEle na história.

Há Braços
Cláudio Márcio[1]









[1] Reverendo da Igreja Presbiteriana Unida (IPU) em Muritiba (cidade serrana do Recôncavo Baiano). 

domingo, 24 de maio de 2015

SOUC: um desafio necessário.

“Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus” (Mateus 5:9)

“Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz”

(ORAÇÃO DE SÃO FRANCISCO)


Por: Cláudio Márcio[1]

Participar da Semana de Oração pela Unidade Cristã (SOUC), é uma experiência linda. Sim, o exercício de unidade na diversidade exige abertura ao diferente. Ao se falar em fé Cristã, é preciso salientar uma prática social plural. Desta maneira, o diálogo torna-se imprescindível para construção de outra realidade. Fomos desafiados a beber da mesma Água (Jesus de Nazaré), em fontes, jarros, diferentes.
 Daí, afirmamos a sede de uma espiritualidade humanizadora, justa e solidária. Não somos os únicos com acesso a essa Água. O velho Raul Seixas em uma canção nos lembra: “... a Água viva ainda tá na fonte". Há uma tristeza por aqueles que assumem uma mercantilização dessa fonte. É de graça e gera Graça. Sine Calmon (cantor de reggae no Recôncavo da Bahia) sinaliza: “precisamos beber da Água da fonte da luz". É importante salientar como a dimensão da escuta e troca revelam uma busca de amadurecimento na fé. A prática ecumênica é um desafio. Todavia, é possível e necessária. Hoje, dia de pentecostes, faço minha oração. “Que sejamos um, Senhor”. A SOUC é uma bênção. Muito grato a Deus e a cada irmão e irmã que participaram desta semana. Temos muito a avançar! A esperança precisa ser “utopia concreta”, pois, a tomada de consciência do Amor de Deus, deve desafiar cada um(a), à diaconia. Temos sede de Deus! Devemos ter também por justiça e dignidade humana. Avante! Podemos-devemos oferecer e receber dos outros gratuitamente a Água da vida.



[1] Reverendo da Igreja Presbiteriana Unida (IPU) em Muritiba (Recôncavo da Bahia).

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Eu, (des)encantado...

                      Por: Cláudio Márcio[1]

O retorno do sagrado?!
As limitações da racionalidade...
Desencantamento do mundo?!
Dimensões religiosas de extrema reflexibilidade.
A ciência também é dogmática!
Campos em disputa!
Sistemas de crenças!
Explicações do mundo...
Tanto um quanto o outro podem ser ópio!
Libertam-escravizam...
Quem manipula tais símbolos?
Ora, a vida segue cheia de fé-festa...
E, no partir do pão, no brotar da flor, no brilho das estrelas, no riso da criança...
Lendo livros e vidas ao som de Cartola, aprendi que a vida é um moinho...
Minha confissão de angústia-esperança me curam.
Não se trata de escolher dicotomicamente este ou aquele caminho, isto é, religião ou ciência?
Ao contrário, questiono ambas por entender ser necessário compreendê-las criticamente.
Entretanto, penso que as mesmas carecem da leveza das penas dos poetas.









[1] Reverendo da Igreja Presbiteriana Unida (IPU) em Muritiba (Recôncavo da Bahia).

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Feliz é o jardineiro...

Por: Cláudio Márcio[1]

Estes dias veio a palavra do Senhor através de um bêbado na rua que dizia mais ou menos assim: “Não tiveram paciência! Achei uma planta que jogaram fora! Eu gosto de planta! Levei pra casa e com o tempo ela floresceu perfumando todo o meu lar!” Achei isso de uma beleza-leveza que me encheu de vida!
Fiquei refletindo a “correria nossa” de cada dia, os prazos na vida acadêmica e ou religiosa, metas, busca por... Ora, não se trata de abandonar sonhos-projetos, mas, repensar o caminho. O que vejo? Líderes religiosos e acadêmicos adoecendo! A crença no jogo e sua prática podem ser extremamente perversas. Sim, trata-se também de sistemas de crença. Religião e Ciência essa é minha “cachaça”! Vez por outra, só com um “porre” para suportar o caminho.
Eu, aprendiz do bêbado poeta-teólogo das ruas e bares, não desisti das flores perfumadas na religião e na universidade, contudo, percebo que ambos os espaços não possuem paciência e vendem-produzem ilusões. Isto é, são flores artificiais, quando não apenas buquês (com flores mortas) ungidos e legitimados por religiosos e professores universitários.
De fato, apenas seguirei no caminho com fé-festa, flores, livros e outro ritmo nos passos... Esperando por bêbados-poetas que provoquem leveza-alegria e esperança no caminho.
Evidente que as generalizações aqui são com o intuito de provocar reflexões...  A realidade e os campos de saberes são socialmente construídos em disputa. Questiono o sistema de crenças que ambos possuem. A impressão é que muda apenas o nome do Deus (Deuses). Assim sendo, o divino exige bastante dos fiéis. O que posso fazer? Não abandonarei a marcha, apenas, lerei mais poesias, olharei mais o sol, tomarei um pouco de chuva e, farei de um jardineiro um novo amigo.





[1] Reverendo da IPU em Muritiba-BA.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

UM DIA...

Um dia a dor vai acabar...
Um dia a lembrança vai virar uma doce presença;
Um dia a saudade será uma forma de eternizar a sua companhia;
Um dia o choro se transformará naquele teu belo sorriso...
Um dia nossa despedida simbolizará nosso primeiro encontro.
Um dia a poesia será nosso diálogo;
Um dia farei de conta que estou contigo...
Um dia... Mas enquanto esse dia não chega,
Sinto suas mãos apertando meu peito
Sinto sua voz no silêncio dos pensamentos
Sinto seu sorriso na solidão da noite
Nos olhamos no espelho da ausência
E mais um dia se esvai... 
No entanto aguardo o dia em que tudo isso vai acabar e seremos novamente felizes...
EM HOMENAGEM A CLARICE VITÓRIA (MINHA ETERNA PRINCESA)
OBS: Texto de Jussiana Silva (minha esposa e tia da pequena Clarice).

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

AVANTE IPU...

“Avançar não é simples, mas também não é impossível”. (Salete Nery)
Por: Cláudio Márcio[1]
Após a reunião do Presbitério do Salvado (PSVD-IPU), muitos sonhos e desejos são realimentados. Sim! Vontade de potencializar nossa identidade como ato político mesmo. Assim, sou cristão e minha igreja é a IPU. Aparentemente é uma bobagem, mas, não é, uma vez que, essa tomada de posição implica em demarcar uma trajetória de homens e mulheres que acreditaram (acreditam) no Reino de Deus que emancipa o humano em diversidade e promove a vida em cada praça ou esquina (também) da cidade.
Neste sentido, cremos numa espiritualidade solidária, acolhedora, com leveza e beleza na vida. Defendemos a possibilidade do diálogo e do respeito. Nossa leitura da Bíblia não se afasta da “cultura popular” e suas manifestações que celebram a dimensão corpórea gerando celebração, isto é, fé-folia. Entretanto, não se trata apenas da utilização ou não de instrumentos percussivos em nossas liturgias, trata-se de uma linguagem nova.
Evidente que temos muito a avançar ainda, porém, é preciso acreditar e ser a mudança necessária. A IPU tem um legado significativo em solo brasileiro, contudo, é inadiável uma atualização da agenda. É preciso sentar-se à mesa para conversar sobre questões como: homossexualidade, novas famílias, descriminalização do aborto e da maconha, etc.
Penso ser urgente debate com as lideranças das comunidades locais e seus eclesianos sobre essas e outras temáticas para uma produção teológica mais responsável e atual, ou seja, igreja local e presbitério em diálogo com a IPU nacional. Cada comunidade carrega seus anseios, sonhos e fragilidades. Isso é bom! Não podemos nos vitimizar ou abaixar a cabeça como coitadinhos. É preciso posicionar-se! É preciso rever-se! Nenhuma fala é pronta e acabada. Se somos reformados em processo o que impede a atualização de nossas falas?  
Tenho orgulho de participar da IPU e acredito no potencial que há em nossas comunidades e trajetórias pessoais. Avante IPU! Podemos mais! Testemunhemos o amor de Deus revelado em Jesus de Nazaré salgando e iluminando no e com o mundo. Sejamos dedos de Deus na história! Amém!



[1] Reverendo da Igreja Presbiteriana Unida em Muritiba-BA. 

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Igreja Batista do Pinheiro: um gole de vida!

Por: Cláudio Márcio[1]

Este final de semana encontrei vida-esperança em Maceió. Sim! Um processo de reflexão que passa por frentes como: movimentos sociais, conhecimento científico, questão de gênero, movimento negro, linguagem de Libras, direito-diálogo-inclusão dos homossexuais e, necessariamente, mística. Ora, mística aqui é entendida como encontro com o Divino-humano no caminho da alteridade em busca de espiritualidade-engajada para promoção da vida.
Neste sentido, como cristão protestante, revendo-relendo a Bíblia em busca de esperança-solidária, entendo que o Reino chegou! Assim, rememorando o Rev. João Dias na Conferência do Nordeste em 1962, enfatizo a possibilidade da “revolução do Reino de Deus”. Isto é, fé-prática que gera vida! Fé que não se reduz a religiosidade do templo, mas, percebe no cotidiano a possibilidade de ser “dedo de Deus”!
Assim sendo, com uma “fé amadurecida”, assumimos responsabilidades que são nossas no mundo. Logo, é necessário, tomada de posição não como mero proselitismo, isto é, quem tira o melhor selfie de Deus, porém, como homens e mulheres de fé, podem-devem contribuir para construir outra realidade, uma vez que, como sinaliza Edson Gomes (cantor de reggae do Recôncavo da Bahia), “a lua não é mais dos namorados, os velhos já não curtem mais as praças”.

De fato, refletindo com Mt 11:30: “ Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve”, percebo o quanto a religião pode ser pesada e, a manipulação dos seus símbolos podem oprimir e escravizar. Entretanto, apenas a religião possui esta característica ? E a produção científica?  Os partidos políticos ? Também estes são pesados nos ombros e geram desencantos... a pergunta então não é qual dessas esferas oprimem mais, mas, como esses espaços podem produzir emancipações e leveza nos humanos?

Aqui, apenas agradeço ao pastor Wellington Santos e a pastora Odja Barros, também suas filhas Andréa Laís e Alana Barros (parceiras das Ciências Sociais). Grato pelo reencontro com meu amigo Paulo Nascimento. Grato a cada irmão no congresso. Muito obrigado Igreja Batista do Pinheiro pelo “gole de vida”!




[1] Reverendo da IPU em Muritiba-BA.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Deus ouvindo rádio... Era música “popular” brasileira.


Por: Cláudio Márcio[1]

Estes dias tenho refletido a questão da “musicalidade” na minha trajetória de vida, trazendo na memória, sensações, lazer, mística... Mesmo entendendo que fui socializado em um contexto do “mundo protestante” (específico) de castração do corpo, dos desejos carnais e, isso implica em uma “negação” do mundo e de suas “ciladas”.

Desta forma, exemplifico aqui com o jargão comum na prática de muitos evangélicos que diz: “não se deve escutar músicas mundanas”, apenas, “músicas que louvem ao Senhor”. Sim, confesso que já fiz parte deste grupo, mas, em relação ao reggae não... O reggae sempre me fez bem.

Bem, as pessoas mudam por diversas razões e, que bom que é assim. Minha experiência musical não é padrão para ninguém. Contudo, fiquei chateado com o que me foi negado ao longo dos anos, pois, partindo do pressuposto de que existem protestantismos, fui infelizmente socializado, por um modelo que me negou uma certa brasilidade musical.

Tenho escutado nos últimos anos: Novos Baianos, Tom Zé, Tropicália, Elis Regina, Marisa Monte, Maria Bethânia, Adoniran Barbosa, Chico Buarque, João Gilberto, Tom Jobim, Noel Rosa, Pixinguinha, Lenine, Tim Maia, Jorge Ben, Vinicius de Morais...

Sei que para muitos leitores este texto “representa uma bobagem”, mas, para tantos outros “representa que eu não estou no caminho do Senhor”. Bem, honestamente, não estou preocupado com nada disso. Sinalizo apenas o quanto essa “brasilidade musical” me faz bem... É uma delícia!

Ah, encontro o sagrado aqui e, se não encontrasse, acho que não seria problema algum, pois, no “MERCADO GOSPEL MUSICAL”, eu não tenho encontrado o Cristo, mas, Mamon.

De qualquer maneira, esse Brasil “imagético” musical, não ocorre fora de disputas, de representações identitárias, de influências musicais outras e, de processos de permanência-mudança cotidianamente... Bem, saliento ainda um marco significativo (o religioso) na minha socialização, não o único, evidentemente.

 

 



[1] Reverendo da IPU em Muritiba-BA e estudante de Ciências Sociais da UFRB.

quinta-feira, 6 de março de 2014

UMA MEMÓRIA EM GRATIDÃO


Por: Cláudio Márcio[1]

 

Trago na memória algumas marcas que João Dias e Ithamar Bueno deixaram em minha vida. Sim! Não quero sinalizar neste texto a relevância deste casal para o protestantismo brasileiro, nem sua participação em prol da ampliação de diálogos ecumênicos e, ainda, a luta pelos direitos da terra e de justiça social. Penso que essas questões foram bem apontadas por muitos (as) que os cercavam.

Gostaria apenas, de expressar minha gratidão ao humano que encontrei no caminho... Sim! Eu e Jussi participamos um pouco na vida desse casal e, confesso: saudade de almoçar juntos, beber café e ou vinho, trazê-los para IPU em Muritiba-Ba, debater durante a viagem e, escutar suas respostas-aulas às minhas inquietações. Confesso: saudade daquela biblioteca em sua residência que, algumas vezes, visitei...

Lembro quando falei de minha aprovação em Ciências Sociais na UFRB, lembro quando contei para ele que tinha sido aprovado no mestrado (também) na UFRB... Seu rosto (por vezes sério) sorria a parabenizar-me.

Lembro de Ithamar sorrindo e dizendo o quanto ela e João gostavam de mim e Jussi. Bem, escrever esse texto não é fácil... o "coração ainda dói" e, quando vou em Feira de Santana, não tem como não lembrar deles.

De qualquer maneira, encontrei neste casal um acolhimento tão honesto, tão humano que provocou novos sentidos na vida. Estou na IPU e, acredito ser sopro do Espírito através (principalmente) deste casal. Por tudo isso, sou grato! Fui honesto com João Dias em muitas inquietações que tiravam meu sono. Percebo hoje que muitas eram dele também, outras, só diziam respeito a mim.

Ora, tive a oportunidade de conhecer o símbolo-mito João Dias, mas, junto a isso, o humano... pena João e Ithamar que não levarei mas vocês para comprar um sapato-sandália para esses pés que andaram por tantos chãos...

Contudo, tenho certeza que meus passos movidos por tuas e minhas inquietações, tocam o chão em diálogo com o povo, com as baianidades e brasilidades... Muito obrigado João Dias, pois, vejo o Cristo (também) no meio da feira, nos sindicatos, nas praças e esquinas, nas rodas de capoeira... no samba de roda e no reggae do Recôncavo baiano.

 



[1] Reverendo da IPU em Muritiba-BA.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

DERRUBANDO LATAS...

Hoje, lembrei que em uma das igrejas onde teria possibilidade de pastorear (estava terminando o curso de teologia no STBNe) fui convidado à passar um final de semana e no domingo pela tarde fiquei derrubando latas com o filho de um líder da igreja (um adolescente) com um badogue.
Claro que a tarde foi ótima! Porém, acho que o correto (ou o que esperavam de mim) era visitação a enfermos e evangelização.
Ora, sabe de uma, eu era bem mais jovem e, honestamente após um tempo de reflexão e amadurecimento, confesso: que saudade de derrubar latas! Acho que vou comprar um badogue.

Forte Abraço
Cláudio Márcio