sábado, 15 de junho de 2019

“Procurarás a justiça, nada além da justiça” (Dt 16.11-20)


  

Provocados e provocadas pelo tema bíblico que anima a Semana de Oração pela Unidade Cristã, nós, igrejas, organizações ecumênicas e inter-religiosas, pastorais sociais e movimentos sociais fomos ao encontro da comunidade do Bairro 135, em São Félix, localizada no Recôncavo Baiano. Nosso objetivo foi buscar sinais de justiça junto a uma população que ainda sofre as consequências da escravização do povo negro e do racismo estrutural, um dos principais pilares da desigualdade social brasileira.
Depois de conhecer a história da Barragem e Hidroelétrica Pedra do Cavalo, ouvimos as histórias de vida de moradores e moradoras da comunidade do Bairro 135, no município de São Félix/ BA. Nesta escuta-ativa-dialogal compreendemos que na comunidade a construção e a permanência da Barragem Pedra do Cavalo trouxe e consolidou situações de injustiça. Não há justiça na comunidade do Bairro 135. Os moradores e as moradoras são os impactados pela distorção da justiça.  A falta de justiça se percebe na absolutização do “direito” de um grupo financeiro enriquecer com a exploração do Rio Paraguaçu, destruindo o complexo ecossistema criado no entorno do rio. 

sexta-feira, 10 de maio de 2019

As matriarcas: “mães subversivas da Bíblia"


 Por: Francisco Leite[1]

O conjunto de livros que nós cristãos denominamos Antigo Testamento pertencem a um contexto histórico-social em que o mundo possuía uma hierarquia patriarcal muito bem delineada, nesse modo de compreender as coisas, a família estava na base da sociedade e várias famílias compunham um clã, ou seja, um pequeno grupo de pessoas que possuiam laços de consanguinidade e, por fim, a totalidade dos clãs compunha a tribo, em grego: ethnys – de onde vem a palavra que conhecemos em língua portuguesa como etnia.

Em cada degrau da pirâmide havia um líder, no governo da tribo havia um rei que era a autoridade maior da nação (mesmo que em determinados contextos em que a nação estava escravizada o título de rei era apenas simbólico), submissos ao líder tribal estavam os chefes dos clãs e, por fim, cada família era representada nessa sociedade por um Pater famílias, assim, desde a base da sociedade a liderança dos grupos sociais sempre estava nas mãos de uma figura autoritária de gênero masculino.

quarta-feira, 24 de abril de 2019

É preciso estender a mão...


“Corra, porém, o juízo como as águas, e a justiça, como o ribeiro impetuoso” (Amós 5:24)

“Amar e mudar as coisas me interessa mais” (Belchior)



Por: Cláudio Márcio



            Irmãos e irmãs, vivemos dias difíceis que exigem de nós um compromisso muito grande com a reflexão crítica e libertadora e, somando a isso, é urgente uma prática da espiritualidade diaconal, dialogal e humanizadora. Como ser cristão e não produzir justiça social? Como ser cristão e viver em silêncio diante de tanta injustiça?

            Não trago respostas prontas e métodos a serem seguidos, uma vez que, cada contexto é específico e precisa ser compreendido com muita calma. Entretanto, há um lugar comum que cada cristão precisa assumir, ou seja, “temos que ter fome e sede de justiça” (Mt 5.6). Dito de outro modo: “Assim, mantenham-se firmes, cingindo-se com o cinto da verdade, vestindo a couraça da justiça” (Ef 6.14). Somos convidados neste contexto por Deus para exercer uma espiritualidade da compaixão e da misericórdia. É preciso estender a mão a quem encontramos no caminho com suas necessidades, pois, desta maneira, estaremos revelando Jesus de Nazaré aonde quer que estejamos. 

terça-feira, 23 de abril de 2019

#DitaduraNuncaMais


“A religião pura e verdadeira para com Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo” (Tiago 1:27)


Por: Cláudio Márcio


Dia 31-03-19 na Igreja Presbiteriana Unida (IPU) de Muritiba-BA, estudamos na Escola Bíblica Dominical (EBD) sobre memória, fé e justiça social. Trouxemos à memória Paulo Stuart Wright e Ivan Mota Dias, ambos foram exterminados nos “porões da ditadura militar brasileira”. Desta forma, o que levou aqueles (e tantos outros e outras) jovens a se entregarem a um projeto de construção nacional? Qual a razão do silêncio no que se refere a produção de narrativas feitas por setores do protestantismo ecumênico e progressista em solo brasileiro?  

segunda-feira, 15 de abril de 2019

“O Brasil, dentro de um carro, levou 80 tiros...” – por Joel Zeferino

Foto: @desenhosdonando
Meditando nas passagens bíblicas do lecionário do dia 7 de abril de 2019, fomos desafiados pelo profeta Isaías (43:16-21) a seguirmos anunciando esperança, mesmo num cenário que se apresenta como deserto de impossibilidades: como quem se recusa que o mal e a maldade tenham a última palavra, seguimos anunciando novos caminhos que desafiam as estruturas do tempo presente.

Mas foi no Evangelho (João 8:1-11), onde uma mulher que teria sido pega em adultério é levada até Jesus (note que em nenhum momento do texto o “homem adúltero” é mencionado), que recebemos nosso maior desafio: humanizar a humanidade... Sim, pois que pese a noção geral de que “todos humanos tem direitos”, na prática, esses direitos são concedidos apenas a uma minoria, uma elite. A maioria da população, formada por negros e negras, mulheres, LGBTs, pobres, tem seus direitos violentados das mais diversas maneiras. E um dos modos que os poderosos se utilizam para, inclusive, fazer com que essa maioria "aceite" essas violências, é fazendo uso do falso discurso da "segurança".

domingo, 14 de abril de 2019

Quem é aquele?



Quem é aquele que vem no jumentinho e não chegou ao seu destino?

Tomou 80 tiros e foi “confundido” com um bandido.
Povo negro sendo exterminado diariamente por um Estado genocida.
Tenha misericórdia, Senhor!

Quem é aquela que vem no jumentinho e não chegou ao seu destino?
Foi espancada até a morte por um “parceiro ciumento”.
O feminicídio é real e preocupante, deve ser combatido e refletido nas igrejas.
Tenha compaixão, Senhor!

Quem é aquela que vem no jumentinho e não chegou ao seu destino?
Tomou uma pedrada na cabeça por usar roupas e assumir uma crença diferente da cristã.
A intolerância religiosa gera violência e morte. É preciso aprender a dialogar e respeitar.
Tenha compaixão, Senhor!

terça-feira, 2 de abril de 2019

ITINERÁRIO DA ESPIRITUALIDADE...


Por: Cláudio Márcio


Ó Deus, fonte de toda vida e esperança, tenha compaixão de nós e nos coloque de pé na estrada. Tem sido difícil seguir com tantas notícias tristes que afetam nossa jornada. Extermínio da população negra, indígena e da comunidade LGBTs. Mulheres sendo agredidas, assediadas, demonizadas, assassinadas. E o que as igrejas tem a dizer sobre isso?

Ah, Senhor! Oram e cantam tanto. Fazem jejuns e se sentem teus exclusivos representantes na sociedade. Todavia, o evangelho já nos adverte sobre essas pessoas quando diz: “este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim” (Mt 15:8). Assim, ó Deus, muitos grupos só olham para os céus e esquecem de assumir um compromisso com o chão que pisam. Espiritualidade que não gera vida e nem justiça social. Trata-se de uma aparência, pois, são hipócritas!

terça-feira, 19 de março de 2019

ITINERÁRIO DA ESPIRITUALIDADE


Por: Cláudio Márcio[1]

Ó Deus, nossa comunidade de fé celebra mais um aniversário e, assim como o salmista perguntamos: que daremos ao Senhor por todo bem que nos tem feito? Sim, Senhor, sua Graça tem nos surpreendido na jornada e estamos felizes.  Sabemos em quem temos crido, logo, faremos menção do teu nome como Deus amoroso e libertador.  Aqui, Senhor, muitas vidas se dedicaram ao seu Reino. Homens e mulheres que marcaram nossas vidas com o desejo que pudéssemos te conhecer mais e testemunhar o evangelho da Graça. Por todos eles e elas, obrigado Senhor.  Também pelos ausentes que já partiram ao seu encontro, obrigada Senhor. Por nossos irmãos e irmãs que gostariam de se fazer presentes e não puderam, obrigado Senhor.

sexta-feira, 15 de março de 2019

IPU em Feira de Santana...

“O mês de fevereiro trouxe uma alegria para nós, moradores e moradoras das paragens da Feira de Santana. A Igreja Presbiteriana Unida do Brasil retomou sua presença na cidade, com a abertura de uma missão no SIM, bairro cuja história está estritamente associada à IPU. Nós, anglicanxs de Feira de Santana nos alegramos com essa missão e desejamos sucesso nas iniciativas realizadas neste campo missionário. Somos igrejas irmãs e vivemos para anunciar um Evangelho justo, solidário e inclusivo. Estendemos nossas mãos para a caminhada a ser feita”. (Rev. Adriano Portela\ IEAB)

“E o culto de inauguração no último dia 23/02 foi uma bênção sem medida. Agradecemos a Deus por cada irmão e irmã que estiveram presentes, temos um caminho a trilhar em feira de Santana. Nossa missão não será fácil, mas temos a confiança que Deus tem feito grandes coisas por nós e por isso estamos alegres. Lembro das palavras do pastor Jorge Santana ‘Agora se reinicia na Missão de ser uma Comunidade de Fé que se posiciona onde a vida está sendo ameaçada’... Nós temos a missão de levar esse evangelho comprometido com a vida, lembrando as palavras do evangelho de João 3:30 ‘convém que ele cresça e que eu diminua’.  Que Jesus cresça a cada dia em nossos corações.Venha visitar nossa comunidade na Rua Presidente Café Filho, Bairro SIM, número 644. Toda quinta-feira às 19:00h e aos  domingo às 09:00h”. (Rev. Cássio Santos\IPU)


terça-feira, 5 de março de 2019

ITINERÁRIO DA ESPIRITUALIDADE...

Por: Cláudio Márcio

Ó Deus, ao ver uma diaconisa da Igreja Presbiteriana Unida (IPU) fazendo aeróbica na praça da cidade junto ao grupo da terceira idade, fiquei demasiadamente feliz. Seu rosto e corpo eram de festa. Ao seu ritmo, acompanhava o professor em total energia ao som de Style PSY Gangnam. Ali na praça, vi o Senhor!
Deus dançante que celebra ao lado dos foliões, bendito é teu nome para todo sempre.
            Ó Deus, sei que não se limita aos nossos templos. Tua casa é o mundo! Os mares, os campos, as matas, as estrelas, as pessoas... Suspeito que temos tanto a conhecer-te fora da igreja. A quem interessa uma narrativa que “reduz” ao Senhor? Falam em seu nome dizendo o que não foi dito por seus lábios. Eles não sabem dançar!