Carrego a Bíblia em uma mão e o dendê na outra...

Postado por Cláudio Márcio | | Posted On terça-feira, 2 de janeiro de 2018 at 12:09

Por: Cláudio Márcio[1]
És a rocha que me salva
Meu quilombo seguro não serei abalado
Ao som do berimbau, celebro em Ti
Descanso em Ti
Ao som do pandeiro, danço pra Ti
Tenho esperança em Ti
Ao som do timbal, meu corpo ginga em luta
Confio em Ti
Ao som do reggae, meus pés seguem a justiça
Creio em Ti
Viverei em Tua presença com fé e coragem
Irei para o “olho do furacão” ao Teu lado
Fui chamado para salgar-iluminar
Cuidar do outro é uma missão
Meu gabinete é a rua
Minha igreja é a cidade
E nesse calor do Recôncavo sinto o fogo do espírito arder em minha alma
Me refresco com uma deliciosa água de coco que jorra das suas palavras de amor.  



[1]  Reverendo da IPU de Muritiba-BA.

Qual diferença faz?

Postado por Cláudio Márcio | | Posted On quinta-feira, 14 de dezembro de 2017 at 13:55

Por: Cláudio Márcio[1]
Corpo negro no chão
Furado de bala ou facão
Qual diferença para mãe que chora?
Marcas na pele e na alma, não?
Correntes da imaginação: a quem interessa a memória APENAS de povos que foram escravizados?
Racismo estrutural com tom de “harmonia social”.
Corpo negro no chão
Furado de bala ou canhão
Qual diferença faz?
Colonização-cristianização: corpo negro na fazenda, na favela e na periferia.
Dor no peito e lágrimas nos olhos
Chegou a hora irmão de reinventar-se,
Chegou a hora irmã de multiplicar-se.
Resistir como os ancestrais.
Além da enxada, do berimbau, do cavaquinho e do pandeiro.
Usa o caderno e a caneta como emancipação.
Sinta o reggae trazer uma nova vibração
Corpo negro em ressurreição não suporta mais o chão.
De pé, com fé na luta e na missão.
Reescrevendo a história da descolonização.
No chão agora só as sementes da transformação.
Tem brotado e chegará o dia da redenção.



[1]  Reverendo da Igreja Presbiteriana Unida de Muritiba-BA.

BAIANÃO ECUMÊNICO: o novo sempre vem...

Postado por Cláudio Márcio | | Posted On terça-feira, 21 de novembro de 2017 at 15:19

“Eis que farei coisa nova, que já desponta” (IS 43. 19)
Por: Cláudio Márcio[1]
Participar do 1º BAIANÃO ECUMÊNICO[2], 06 a 08 de outubro de 2017, foi uma experiência bastante significativa. O evento, organizado pelo Conselho Ecumênico Baiano de Igrejas Cristãs (CEBIC), buscou fomentar o diálogo contra a intolerância religiosa bem como fortalecer a convivência com o diferente, ou seja, garantir o direito à diversidade.
Como jovem reverendo da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil (IPU) tenho muito a apreender. Livros, vivências e paradigmas dentro e fora da IPU sinalizam, como bem sugere o documentário produzido pela Faculdade Unida de Vitória-ES, O SONHO ECUMÊNICO baseado em desafios para se construir pontes em detrimento de muros segregacionais.
Sim, ainda tenho utopias! Aqui no território do Recôncavo da Bahia busco essa mesa da fraternidade e da dignidade humana. Penso que é urgente combinar fé-ação em favor da vida em sua multiplicidade. Suspeito ainda, que há inúmeras narrativas ocultas (a CEBIC) é uma delas, que precisam brotar com força no cenário religioso baiano como uma perspectiva contra-hegemônica, isto é, capaz de promover nesta polifonia, uma voz justa, coerente, equânime e libertadora.
            Sei que existem os contrários ao ecumenismo. Mas hoje eu os pergunto: o que leram sobre tal tema? Qual experiência de alteridade religiosa foi vivenciada por esses sujeitos sociais? Na realidade, penso que muitos vivem espiritualidades deslocadas da realidade social, logo, preferem discutir o “sexo dos anjos” e ou responder questões que nunca foram feitas, pois, a ninguém interessam.
            Entretanto, a espiritualidade dialogal do CEBIC se propõe a “colocar o ouvido na boca do povo”, assim, testemunho com alegria e sentindo-me desafiado por todo encontro do Baianão Ecumênico. Aqueles e aquelas que investiram seu tempo e talentos para realização do evento, muito obrigado. Sigamos na jornada!
           




[1]  Reverendo da IPU de Muritiba-BA.
[2] Casa de Retiro Dom Amando, Av. Aliomar Baleeiro, Km 6,5, Bairro Nova Brasília, Salvador – BA.

VEZ POR OUTRA, É PRECISO INCENDIAR A AGENDA...

Postado por Cláudio Márcio | | Posted On quinta-feira, 9 de novembro de 2017 at 03:20

Por: Cláudio Márcio[1]
“... nada deve parecer impossível de mudar” (Bertold Brecht). [2]
O ministério pastoral (assim como diversas atividades de liderança) é marcado por experiências sensoriais múltiplas cotidianamente. Em aproximadamente um mês nossa comunidade de fé (IPU de Muritiba) tenta seguir os passos. Nem sempre é fácil! Lutamos junto com uma família pela vida, todavia, diante dos desígnios de Deus (que não entendemos) ele chamou sua serva para seu colo e, honestamente, nossa esperança é a ressurreição. Ainda dói bastante lembrar este processo... Se não fosse o suficiente, outra família da igreja ficou enlutada e temos alguns doentes. Insisto: não é fácil consolar e encorajar quando também nos encontramos extremamente fragilizados.
Neste processo de ir seguindo a vida com fé-coragem, realizamos uma semana de oração que muito nos fortaleceu. Estamos em comunhão e nossa comunidade tem percebido a grandeza da espiritualidade do afeto, do cuidado e do toque. Entretanto, entre a alegria e a dor, há perguntas interessantes a serem feitas: o que efetivamente é importante em nossa vida hoje?  Corre-se tanto com qual finalidade? As escolhas que tenho feito na jornada são as melhores para mim?
 Confesso que gostaria de ficar um pouco mais com minha linda esposa. Ficar um pouco mais com meus livros. Pensar mais em mim sabe? Sou apaixonado por ser líder religioso e ou professor. Entretanto, essa espiritualidade diaconal precisa dar as mãos à dimensão do lazer. É preciso e possível uma experiência mais leve e cheia de encantamento, não?
São tantos prazos e agendas que, se pudesse, “tocaria fogo na agenda”. Sim, apenas uma piscina… ao som de Cartola. Na realidade, suspeito que preciso cuidar de mim. Tem dias que nós (líderes) também precisamos de “águas tranquilas e pastos verdejantes”. Hoje escrevo para mim, pois, escrever também cura.
Amanhã será outro dia. Amanhã será “o mesmo do diverso”. Eu continuarei sendo o “mesmo-outro”. Sigo em teimosia diante da vida, uma vez que, acredito na sua força e na possibilidade de reinvenção. Em outras palavras: é preciso reimaginar. Logo, somos convidados a “avivar as forças da memória” e seguir em frente. “Temos dois pés para cruzar a ponte”, ainda temos uma jornada diante de nós, então, “acorde, levante e lute”.  Amém!



[1] Reverendo da IPU de Muritiba-BA.
[2] Texto feito no início de outubro.

UM CLAMOR A TUPÃ

Postado por Cláudio Márcio | | Posted On segunda-feira, 2 de outubro de 2017 at 12:50



Por: Cláudio Márcio[1]
Ah, Tupã. Criador de toda natureza. Tua presença é percebida nos rios, nos animais, nas plantas e nas flores. Os indígenas não são a coroa da criação como anunciam os cristãos. São parte integral desta totalidade da Pachamama. Humano, natureza e cultura são um.
Ah, Tupã.  Pediram que os povos indígenas fechassem os olhos e lhes entregaram  um livro sagrado. Ledo engano, tomaram suas terras, suas riquezas. Se não fosse o suficiente, Tupã,  escravizaram nossos povos e trouxeram doenças exterminando milhares de filhos originários desta terra chamada Brasil. Quero aprender a cada dia como viver coletivamente, como amar a natureza e enfim, como resistir sem me corromper.
Sim, Tupã. Resistimos! Lembramos de tua força e recriamos a jornada. Nossos problemas não são contigo. Nosso problema é com a garantia dos direitos. Somos donos desta terra! Nos tratam de maneira “folclorizada”. Não valorizam nossos saberes. Querem nos objetificar. Ciência e religião são campos de poder que nos manipularam. Ora foram os missionários, ora os antropólogos…
Tupã, somos atores sociais. Queremos lutar “com nossas armas”, todavia, eles, são covardes. Tivemos que nos render a seu processo civilizatório como único e ou melhor possível!?  Nosso sangue se misturou com a terra, somos um.
Tupã, peço-te desculpa pelos meus erros de omissão na luta da terra no século XXI. Pelos meus ancestrais que feriram teu corpo. Eu falo do Cristo e pouco o conheço, todavia, sua prática revela que você é mais “cristão” que eu. Que a cada dia minha oração seja antropofágica para que eu possa alimentar meu espírito com a coragem dos teus filhos que deram a vida em favor de muitos.




[1]  Reverendo da IPU de Muritiba-BA.

ÉS DEUS (NÃO APENAS) DOS PATRIARCAS...

Postado por Cláudio Márcio | | Posted On sábado, 9 de setembro de 2017 at 04:35

Por: Cláudio Márcio[1]
O Senhor é meu pastor e de nada tenho falta. Canto ao Teu nome por tua misericórdia e lembro-me de tua fidelidade ao deitar-me. És refúgio, fortaleza. És Deus de João Dias e Ithamar Bueno. És Deus de Sônia Mota e Nelson Kilpp. Ah, Pai-Mãe, És Deus de tantos “Josés e Marias” que vivem em resistência pelos centros e periferias deste chão chamado Brasil.
Sabemos que escutas o GRITO DOS EXCLUÍDOS, pois, teus filhos e filhas encontram em Ti razão para seguirem a jornada. Muitas são nossas aflições. Temos chorado bastante, todavia, percebemos teu cuidado e colo amoroso. Pai-Mãe, quando entenderemos que podemos ser mãos tuas no cotidiano? Até quando ficaremos (apenas) de joelhos em prece? Não chegou a hora de ficar de pé e lutar, irmão e irmã?
Deus bendito, obrigado por Te encontrar não isolado em templos. Te vejo nas ruas e praças da cidade. Te encontro no meio da feira popular e nos campos. Te vejo no meio de camponeses, dos quilombolas e dos povos indígenas em luta pela terra. Graças e louvores ao Deus da vida.
Que eu compreenda que além de teu filho, posso ser amigo e parceiro para construir uma sociedade cheia de justiça e paz. Realizo essa prece na crença da subversão e na ressurreição das utopias corpóreas, amém. Peço a Ti, Parceiro maior, que desperte em cada leitor(a) o desejo de perceber Tua voz inconfundível que pela fé nos diz: “não tenha medo. Estou com você. Ouço tua oração. Pego tua mão. Enxugo tuas lágrimas. Farei você sorrir novamente em breve, vamos?”.




[1]  Reverendo da IPU de Muritiba-BA.

A VIDA É BOA E DURA...

Postado por Cláudio Márcio | | Posted On quinta-feira, 24 de agosto de 2017 at 05:39

Por: Cláudio Márcio[1]
                                                                                                
Deus (Pai-Mãe) de toda bondade e justiça. Obrigado pelo dia que se abre diante de mim. Cantarei ao Senhor enquanto viver. Tu és a minha alegria. Ah Senhor, muitas são as minhas aflições, meus medos. Todavia, a quem temerei? Percebo teu cuidado e fidelidade. És fonte de amor e esperança.
Hoje, intercedo pela vida de amigos e familiares que estão enfrentando situações que envolvem enfermidades. Tem piedade de nós! Atende a voz do nosso clamor. Sim, Tu podes todas as coisas. Sabemos em quem temos crido. O nosso Redentor vive!  Hoje com os nossos olhos te encontramos.
Senhor, viver é uma bênção e um perigo. Não tenho muitas respostas... O que tenho na realidade é um desejo profundo de continuar caminhando. Até onde iremos? Chegaremos à próxima esquina? Sentaremos à mesa para partilhar mais um pão? Aquele abraço será dado? Honestamente, não sei. Espero ardentemente que sim...
Pai-Mãe, a vida é boa e dura. Precisamos de coragem para seguir, porém, temos a sensação que não temos mais forças. A nossa “bateria” vai se esgotando. O que fazer? Tu és fonte de vida! Vem Espírito Santo (re)organizar nossas vidas. Enxuga nossas lágrimas e nos faz sorrir novamente.
Rogo ainda pelos profissionais da saúde. Misericórdia por aqueles(as) que não possuem um plano de saúde. Intercedo por pessoas que carecem da liberação das burocracias hospitalares. Peço-te que continue agindo através de homens e mulheres que cuidam e encorajam pessoas através de saberes populares. Isto é, não apenas o jaleco, mas, folhas, raízes e chás.
Deus, piedade dos mercenários da saúde. Piedade dos que (pela cor da pele) oferecem um atendimento e ou tratamento diferenciado. Escuta nosso clamor e nos faz compreender Tua vontade. Peço-te Senhor, derrama o óleo em nossas cabeças e nos ensina (também) que nossas mãos podem ser (vez por outra) as tuas. Amém!




[1]  Reverendo da Igreja Presbiteriana Unida de Muritiba-BA