DESENHANDO E PINTANDO CACHOEIRA ATRAVÉS DAS PALAVRAS...

Postado por Cláudio Márcio | | Posted On quinta-feira, 10 de março de 2011 at 12:30


Quanto mais eu sonho

com Cachoeira

mais amanheço em Nove York

Damário da Cruz

Ruas apertadas, casas antigas, trem na ponte, velhos nas praças, acarajé nas esquinas, filarmônicas centenárias, pesca e banho no rio, jogar bola e tomar cerveja no porto, ir ao culto, ao terreiro ou à missa no domingo, cuidar da casa e ir para o salão, ser conhecido pelo nome de seus pais, jogar capoeira e celebrar a vida...

Desemprego, violência, drogas, intolerância religiosa, racismo, analfabetismo, desigualdade social, corrupção, pedofilia, caos na saúde pública e esperança para que a vida seja celebrada...

Pensar na cidade heróica de Cachoeira é perceber sua força na pluralidade cultural, sua riqueza histórica, sua capacidade de se reinventar na sociedade. Esta última, marcada por suas regras, seus simbolismos, sua gente, suas conquistas e seu saudosismo.

Uma cidade banhada pelo Rio Paraguaçu no Recôncavo Baiano, que recebia navios de alto mar no princípio do século XX. Um importante centro da cultura afro-brasileira. Charmosa. Possui um acervo artístico impressionante, os museus, as poesias, as telas, os artistas... Seu fiel e eterno poeta Damário da Cruz! Criador do Pouso da Palavra - um apaixonado pela cidade. O pouso reúne diversas obras da literatura brasileira e mundial, seus livros, suas poesias e suas fotos além de cordéis e obras de arte. Com um quintal aconchegante e quinquilharias e camisetas pintadas à mão, o Pouso é um espaço de descanso e reflexão.

Seu sítio arquitetônico que contempla: a estação de trem, a ponte do caminho de ferro, a qual atravessa o rio e que chegou da Inglaterra em peças, depois de ter sido desviada do seu destino original, o Egito, negócio tratado pessoalmente pelo imperador D. Pedro II. Há também Igrejas riquíssimas algumas delas do barroco tardio, as antigas fábricas de charutos, que hoje se transformaram em salas de exposição de obras de arte e fotografias, movimentos populares, festas de largo, diversidade religiosa, festas juninas, samba de roda, forte reggae festejado em diversas partes do Estado brasileiro... E o que dizer de seus belos casarões e edifícios que testemunham ainda a opulência e a ostentação da riqueza colonial, que chegaram a Portugal sob a forma de palacetes e mansões e ainda resistem ao tempo, encantando a todos que passam?

Ou seja, Cachoeira é um misto de percepções e vivências entre belo e feio, caos e ordem, progressista e fundamentalista, guerra e paz, sagrado e profano, justo e injusto, moderno e clássico, riqueza e pobreza e tantas outras dicotomias que contam uma história de escravidão, mas acima de tudo de luta e resistência.

Por estar localizada às margens rio Paraguaçu, a cidade encontra-se em uma região privilegiada para o plantio. Desde o início, desenvolveu a cultura da cana-de-açúcar e do tabaco, produtos de exportação que impulsionaram o potencial econômico da cidade. O impulso ao progresso deu-se pelo privilegiado Porto da Cachoeira, que fazia a ligação entre o Recôncavo e o Sertão na união das riquezas: gado e ouro.

Termino assim com a Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, importante manifestação sincrética religiosa da Bahia que une rituais católicos com elementos do culto afro-brasileiro e que atrai muitos turistas e pesquisadores da área. Surgiu nas senzalas, há cerca de 150 anos e tinha como objetivo de alforriar negros ou lhes dar fuga, mas com o fim da escravidão, as senhoras que participavam do movimento se aproximaram da Igreja, fundando a Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte. A festa é comemorada no período de 13 a 15 de agosto. Nesse período Cachoeira dança nas ruas com os orixás, carrega seus santos católicos e enfeita-se para esperar a Boa Morte passar.

Fraternalmente, Rev. Cláudio Márcio

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