sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

NÃO TEMOS FALTA DE DEUS...

 

 

Por: Cláudio Márcio Rebouças da Silva[1]

Jesus mesmo disse que gostaria de acolher a Jerusalém, tal como uma galinha que abraça e reúne os seus filhotes, mas o povo rejeitou-O e não quis (Mateus 23:37)

Um dia desses fomos (eu e Jussi) entregar uma lembrança a uma amiga que estava fazendo aniversário e ela ao nos encontrar disse sorrindo: obrigado e não precisava. O que quero mesmo é um abraço! Fiquei sem jeito pelo contexto pandêmico, porém, já que estávamos de máscara, dei um rápido e simbólico abraço.

Simbólico pelo fato que além de amigo, do afastamento-isolamento social e da saudade que não tem fim, mesmo morando na mesma cidade, estava ali também a representação do líder religioso dando-recebendo afeto e expressando a face cheia de amorosidade de Deus. O abraço em nossa cultura é tão forte que criaram o abraçaço. Gostamos de sentir a pele e o cheiro do outro, isto é, faz parte de nossa socialização esse modo de ser no mundo.

quinta-feira, 26 de novembro de 2020

PORQUE QUANDO ESTOU FRACO ENTÃO SOU FORTE

 

Por: Cláudio Márcio Rebouças da Silva[1]

 

Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorro

Ano passado eu morri mas esse ano eu não morro

(Belchior)


São mais de 170 mil vidas ceifadas pelo COVID-19 restando apenas choro e desesperança ao nosso redor. Parece que os pássaros matinais não cantam mais e que as flores não embelezam e perfumam nossa estrada. Onde estão as borboletas? Em nosso olhar é perceptível o medo e muitas dúvidas. O que e como fazer? O que parecia ser um mês para ser resolvido (abril) numa primeira percepção chegou até novembro. Como será o nosso Natal e o ano de 2021?

Quero contar uma pequena historinha para jogar um pouco de luz neste contexto caótico e tenebroso. Após uma vida bem vivida a velhice trouxe situações adversas e sofredoras. O que faz uma pessoa ao encontrar alguém que ama sofrendo? Isto é, em sua prece pede cura ou descanso para o doente? Quem tem ou vive perto de alguém num leito em casa ou num hospital sabe como é demasiadamente difícil(também) para quem cuida. Quem cuida de quem cuida?

terça-feira, 24 de novembro de 2020

O QUE ESTÁ ACONTECENDO?

 

Por: Cláudio Márcio Rebouças da Silva[1] 

Vez por outra fico pensando nos muitos desafios que me cercam, ou seja, como ser cristão reformado ecumênico no recôncavo baiano? Essa é uma questão extremamente desafiadora-motivadora para tentar desenvolver uma espiritualidade diaconal libertadora-afetuosa cheia de potência de vida não apenas nos templos, mas, nas esquinas e praças da cidade.

Suspeito que é necessário coragem e sensibilidade para (re)criar-se como experiência profunda de uma mística racionalizada em que dimensões corpóreas e culturais não sejam negligenciadas como aspectos secundários na Missio Dei.  É suficiente fazer a leitura da bíblia com lentes arranhadas sem liberdade e esperança? Pregadores e pregadoras do Evangelho cheios de discursos vazios com bonitas palavras ao vento completamente descontextualizadas e alienantes, até quando?

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

Quem sobreviverá?

 

Por: Cláudio Márcio R. da Silva[1] 

“A noite fria me ensinou a amar mais o meu dia” (Belchior)

“Viver é muito perigoso... Porque aprender a viver é que é o viver mesmo... Travessia perigosa, mas é a da vida” (Guimarães Rosa)

Vez por outra, ao fazer uma viagem dirigindo, olho para o lado e Jussi (minha esposa) está dormindo. Imediatamente fico com pena, pois, sei do seu cansaço com suas múltiplas atividades desenvolvidas durante o dia. Lembro de sorrir um pouco com muita gratidão a Deus pela vida tão preciosa que Ele colocou ao meu lado e, por fim, mas não menos importante, penso na confiança estabelecida em mim dirigindo e a “certeza” de que chegaremos ao nosso destino em segurança. É preciso muita responsabilidade para dirigir, não?

Ora, eu não sei vocês, mas, não é sempre que consigo relaxar numa viagem em que alguém conduz o carro. A vida no trânsito é um desafio. Estradas com deficiências, motoristas imprudentes e, de repente, a vida pode ser interrompida num acidente. É possível que você já tenha se envolvido num acidente e ou visto acontecer com um amigo, parente e ou desconhecido. Talvez você tenha que parar um pouco essa leitura por lembrar de alguém muito especial que pegou a estrada para trabalhar-estudar e não voltou para casa, pois, a partir de um acidente teve a vida ceifada.

De fato, a vida é cheia de imprevistos incalculáveis. Todo planejamento necessário para conduzir a jornada de maneira feliz e eficaz é refeita a partir de imponderáveis do cotidiano. O que fazer essas horas? Desistir do próximo passo? Perder todo encantamento pela vida com medo de não arriscar?

            Este contexto pandêmico com mais de 150 mil mortes pela COVID-19 é extremamente assustador. Não sabemos se seremos o próximo e ficamos apavorados. É como se uma enorme carreta sem freios desgovernada viesse em nossa direção na estrada. Não há acostamento para todos(as)! Quem sobreviverá? Honestamente, não sei.

Suspeito apenas que imaginar um possível acidente é não se abrir para criar novas memórias de beleza com praias, praças e jardins, não?

            Evidentemente que o pano de fundo de estrada e carro é uma metáfora para pensar nossa jornada com seus desafios. Numa sociedade cheia de divisões sociais e que carros são também símbolos de poder, prestígio e ou estigma é necessário problematizar: e quem não tem acesso ao carro? Quem e como dirige? Qual estrada? E as redes de carona e solidariedade? Imagino que você na estrada já tenha recebido ajuda ou apoio de um desconhecido, não?

            Enfim, escrevo com o objetivo de convidar você para despertar o desejo de com muita coragem e responsabilidade viver experiências novas cheias de encantamento. Apesar do medo da estrada, das despedidas e das lágrimas que ela pode nos proporcionar, é nela também que vivemos a possibilidade do encontro, do sorriso, da chegada.  





[1] Pastor da IPU de Muritiba, cidade serrana, Bahia.



segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Quem é maior no Reino dos Céus? (Mt 18: 1-5)

 

Reflexão: Presbítero Augusto Amorim Jr.[1]

Quem é maior no Reino dos Céus? (Mt 18: 1-5)

Graça e paz, irmãs e irmãos!

Hoje, 12/10/2020, é um dia muito especial para nossa Igreja Presbiteriana Unida de Itapagipe! Hoje é Dia das Crianças e aproveitamos para rogar a Deus que proteja e cuide de nossas crianças, que nos ajude a transformar nossa sociedade para que as crianças ocupem, de fato, o centro das atenções e sejam tratadas com respeito e amor. Que mais importante que os bancos e exércitos sejam as escolas, professores (as), bibliotecas, parques e ruas onde elas, junto com os mais velhos, possam brincar e conviver de forma saudável, conforme o sonho do profeta Zacarias (Zc 8: 4-5). Mas hoje nos reunimos, principalmente, para rendermos Graças a Deus pelos 90 anos da nossa querida Presbítera Emérita Jedídlia Oliveira Silva, que participa da nossa Igreja desde o início, quando nossa comunidade de fé se reunia nas casas e quando ainda era Congregação Presbiteral, nos anos 60. De lá para cá, sempre esteve presente e dedicada ao serviço do Senhor Jesus em nossa Igreja.

sábado, 10 de outubro de 2020

ITINERÁRIO DA ESPIRITUALIDADE...

 

Por: Cláudio Márcio R. da Silva[1] 

Ao Deus que se fez criança e habitou entre nós

Ao Deus que partiu o pão e bebeu do vinho

Ao Deus que comeu peixe na brasa na praia

Ao Deus que chorou ao saber do falecimento de um amigo

 

Ao Deus que não se afastou do cotidiano e da natureza

Ao Deus que relia o texto sagrado ao lado dos mais experientes

Ao Deus que conversou com uma mulher na beira de um poço

Ao Deus que tocou em enfermos curando estigmas sociais com afetividade

 

Ao Deus que melou os pés de barro nas periferias do seu tempo

Ao Deus que enfrentou todo esquadrão da morte ao valorizar a vida

Ao Deus que propôs derrubar muros de inimizades e construir pontes de reconciliação

Ao Deus que lançou as mais belas sementes da ressurreição

 

Meu canto – minha prece – minha devoção

Meu compromisso – minha alegria – minha gratidão

Meu corpo – meu potencial – minha dedicação

Minha vida – meu encantamento – meu riso de libertação

 




[1] Pastor da IPU de Muritiba (cidade serrana do Recôncavo da Bahia).


sábado, 3 de outubro de 2020

QUEM TEM MEDO DA MORTE?

 

Por: Cláudio Márcio Rebouças da Silva [1]

“Quem tem medo da morte?

Essa é a morte. Ela é muito solitária e triste.

Quando a pessoa tá muito dodói, ela a leva para um lugar melhor.

Para um lugar, perto de papai do céu.

Não precisa ter medo, ela não chega perto quando não estamos prontos.

Quando perdemos um familiar, ele vai estar lá com seus sonhos a realizar.

Pulando de alegria, sujando sua boca com chocolate e contando historinhas para seus amigos.

Lá não tem tristeza!

Apenas alegria, como ficaríamos tristes se estamos com papai do céu?

A morte, é só mais um anjo, fazendo a gente ir para junto de quem nos criou.

Olha só, a morte tá feliz!

Você conseguiu fazer ela rir!

Parabéns, agora que você não tem medo dela, ela está feliz!”

(Raiana Silva Santos 12 anos)

quarta-feira, 23 de setembro de 2020

HUMANO COMO COROA DA CRIAÇÃO?

 

Por: Cláudio Márcio R. da Silva[1]

O irmão sol e a irmã lua derramam lágrimas pelo chão

No tempo da criação queremos renovar nosso mundo

A casa comum é incendiada e geme as dores da desolação

E, mesmo trazendo essas rosas para te dar, sei que buquê são flores mortas


A vida é desfeita e tem sobrado choro, luto e despedida virtual...

Hoje o céu não amanheceu tão lindo – apenas cinzas sem fênix

Cadê a flor que estava aqui? O peixe que é do mar? O verde onde é que está?

Chico Mendes, presente! Margarida Maria Alves, presente!

 

Humano como coroa da criação?

A quem interessa essa interpretação?

Precisamos articular uma espiritualidade ecológica

UBUNTU – OIKOUMENE – PACHAMAMA

 

Sou militante da utopia – um rebelde da esperança

Escrevo como um semeador que espalha as sementes

Sou capaz de ouvir o som da redenção

Não me iludo - o jardim é construído por muitas mãos

 

Minha alegria é saber que todos anos você vem

Chega em múltiplas cores como um espetáculo de beleza

Flores, borboletas, pássaros, crianças e velhos nas praças da cidade...

Tudo se renova na P-R-I-M-A-V-E-R-A

 




[1] Pastor na IPU de Muritiba (cidade serrana do Recôncavo baiano).

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

AS MÁSCARAS CAÍRAM...

 

Por: Cláudio Márcio Rebouças da Silva[1]

"Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês são como sepulcros caiados: bonitos por fora, mas por dentro estão cheios de ossos e de todo tipo de imundície. Assim são vocês: por fora parecem justos ao povo, mas por dentro estão cheios de hipocrisia e maldade” (Mt 23:27-28)

Em um contexto de pandemia da COVID-19 tivemos que aprender a utilizar máscaras como símbolo de proteção mútua no cotidiano, assim sendo, passamos por muitas fases neste longo processo, a saber: negação do uso; uso no queixo; uso sem lavagem; usos customizados a partir de cores e temas...porém, não é sobre este tipo de máscara que quero refletir.

terça-feira, 15 de setembro de 2020

Deus me visitou através de uma criança...

 

Por: Cláudio Márcio Rebouças da Silva[1] 

“Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou" (Apocalipse 21:4)

Hoje recebemos com muita tristeza a notícia do falecimento de um amigo. Se isso já não fosse o suficiente, este contexto pandêmico nos impede de irmos ao encontro da esposa e filhos para oferecer um abraço afetuoso, assim, apenas contatos virtuais configuram um novo paradigma onde a dor e o luto são vivenciados a partir de outras dinâmicas. Ora, o que isso representará para os sujeitos sociais ao longo dos anos? Como abordagens teológicas, psicológicas e sociológicas darão contas dessas experiências de lutos sem velórios?

Ao me deitar e ficar em silêncio em oração por essa família e por Jussi (minha esposa muito amiga da família enlutada) ocorreu algo muito simbólico que em meio a dor eu pude sorrir com leveza e beleza, pois, Deus me visitou através de uma criança e começou a acariciar minha cabeça. Vejo Deus no cotidiano com ações simples cheio de amorosidade e cuidado, isto é, um Deus parceiro no chão da vida. Quem não percebe Deus numa criança talvez precise rever sua experiência de fé e espiritualidade. Antes que me julguem como um herege, lembrem-se que na fé cristã Deus se fez criança e foi cuidado por humanos.

O evangelho diz que Jesus chorou ao saber que seu amigo tinha morrido. A dor e a morte são dimensões da vida que nos afetam e apontam nossa humanidade frágil e complexa. Esse mundo de heróis e heroínas impedem que as lágrimas escorram em nossas faces como sinal de alteridade e empatia.

Com efeito, minha oração é que o consolo de Deus possa ser uma realidade na vida desta família. Peço a Deus que seu óleo possa sarar nossa dor e que a fé na ressurreição seja tão forte como sol que brilha após a tempestade. A fé na ressurreição seja como as flores que embelezam e perfumam na primavera. A fé na ressurreição seja como os pássaros que cantam as mais lindas melodias matinais dizendo que tudo ficará bem.




[1] Pastor na IPU de Muritiba-BA.