(...)Cessai de
fazer o mal, aprendei a fazer o bem. Respeitai o direito, protegei o oprimido; (Isaías 1, 17)(...) Ó vós, que
transformais o direito em injustiça e amargura, e ainda lançais por terra a
retidão e o bom senso! (...)mas, antes, jorre a equidade (respeito à igualdade de direitos) como uma fonte e a
justiça como torrente que não seca.Amós 5.7, 24.
A
sabedoria dos textos bíblicos nos convida a pensarmos na justiça, e aqui a
justiça tem um sentido comunitário, fala de respeitar e proteger o direito, de
não transformar o direito em injustiça e amargura e de não lançar por terra a
retidão e o bom senso. Deseja
profundamente que ocorra o respeito à igualdade de direitos, jorrando como uma fonte e a justiça corra
como rios em terra seca.
Não
podemos pensar uma democracia onde alguns sejam mais iguais que outros, onde
pessoas sejam excluídas ou apartadas de seus direitos. Lutamos por uma
democracia, que seja radical, participativa, direta e plural, onde se crie
instâncias de decisões para os diversos grupos sociais. Uma democracia social.
Mesmo numa democracia oligarca em que vivemos, de gritante esvaziamento
representativo, e indecente afastamento das lutas e demandas da população,
insistimos na manutenção dos direitos constitucionais que estão assegurados
formalmente, a igualdade de direitos. O respeito aos direitos humanos precisam
ser garantidos e efetivados pelas instituições públicas e seus agentes
responsáveis, destepaís, que tem a obrigação de permanecer nos contornos já
assegurados e ampliá-los, como princípio de que a democracia é a morada de todxs.
Estamos nas ruas lutando para barrarmos os retrocessos.
A
comunidade protestante/evangélica neste país é plural e tem muitas vozes,
muitos olhares e interpretações. Segmentos fundamentalistas e reacionários,
articulados com forças fascistas e espúrias no Brasil e fora dele, vem
assumindo bandeiras da ignorância e da intolerância à diferença e à diversidade
a exemplo da LGBTfobia. O discurso,
feito por estes grupos religiosos, de que existe uma “ideologia de gênero”,
como falsidade e invenção de um lado, e do outro, os defensores da natureza
humana criada por Deus que estariam sendo violados, é uma falácia no mínimo
extravagante. Nossa condição humana é sempre revestida de sentidos e significados
construídos social e historicamente. Nos constituímos dentro de uma realidade
social e simbólica que também é fruto da ação humana em sociedade. Nossa
relação com a realidade é sempre mediada. As identidades e suas performances acontece de
forma dinâmica e aberta e não fixadas de uma vez para sempre, como querem os
contornos dogmáticos destes discursos religiosos em particular.
Distintos
e diferentes tratados e legislações internacionais, advindos de respeitados
organismos asseveram o que já assinalamos como: A OMS; a ONU; A Corte
interamericana de direitos humanos, etc. que o Brasil é signatário. Nenhum
grupo religioso pode querer imputar sua visão religiosa em particular sobre o
restante da sociedade, muito menos criar dispositivos restritivos aos direitos
numa sociedade plural e diversa.
Como
protestantes e evangélicos que somos, ligados à Aliança de Batistas do Brasil e
em especial à Comunidade Jesus em Feira de Santana, aqui nos solidarizamos com
a Comunidade LGBTTTeQ e nos pronunciamos
em defesa de seus direitos e pela efetivação de políticas públicas já
asseguradas em lei e as que estão em curso de implementação, e repudiamos atos
abusivos e descabidos de edis, que arvoram-se como representantes de um deus,
sexista, LGBTTTfóbico, misógino e classicista.
Nossa luta é para que haja equidade de direitos e que rios de justiça
corram em nossa Feira de Santana sedenta.
Afirmamos
sempre a vida em sua diversidade e integridade, buscando experimentar Deus no
incondicional amor aos outros e a toda criação.
Feira
de Santana, 19 de maio de 2016
Pr Jorge Luiz Nery de Santana, Pastor Batista,
membro da Igreja Batista de Nazareth em salvador e pastor colaborador da
Comunidade de Jesus em Feira de Santana. Membro da Aliança de Batistas do
Brasil.