terça-feira, 4 de setembro de 2018

AO LADO DOS QUE NÃO TEM NEM PODER NEM CONSOLADOR...


Era um jovem seminarista batista em 1989 quando descobri o texto, A Revolução do Reino de Deus, do Rev. João Dias de Araújo e com ele a biografia corajosa que ajudou a formar a IPU, uma denominação protestante igualmente profética e de vanguarda para seu tempo. A convivência com o Reverendo e a Professora Itamar, nos trouxe muito entusiasmo e discernimento. A trajetória deles se confundia com a História da IPU. Foi um discipulado inesquecível. Uma Graça preciosa e consequentemente , que se põe, como diria o Richard Shaull, no olho do furacão, e sem medo, se coloca ao lado dos que não tem nem poder e nem consolador como sugere a narrativa bíblica: “de novo voltei a minha atenção e vi toda opressão que ocorre debaixo do sol: vi as lágrimas dos oprimidos, mas não há quem os console; o poder estava ao lado dos seus opressores, e não há quem os console”(Ec. 4.1).
A IPU emerge num tempo de profunda crise ética e política do protestantismo, diria mais, de uma profunda crise espiritual, de um déficit na escolha histórica. Faltava ao nosso protestantismo um protagonismo junto aos empobrecidos, explorados e perseguidos. Ainda hoje esse continua sendo nosso desafio, permanecer ao lado dos que para esse mundo, não são, não podem e não tem.  Quarenta anos é um número simbólico da travessia, de transições, de tentações e de decisões cruciais. Que o Bom Deus, Pai e Mãe nos dê sabedoria e assertividade.

Pr. Jorge Nery (Professor da UEFS/UNEB e Diretor do MOC)



sábado, 1 de setembro de 2018

QUE ESTOU FAZENDO SE SOU CRISTÃ/O DA IPU?



40 ANOS 
QUE ESTOU FAZENDO SE SOU CRISTÃ/O DA IPU?

“E, quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei tudo em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai”.Colossenses 3:17

Mês de setembro é mês de comemoração na IPU.E este ano é bem especial, porque nossa igreja está fazendo 40 anos.  40 anos equivalem, na Bíblia,o tempo de “uma geração”. O número aponta para um tempo de amadurecimento: é preciso uma geração para que as coisas amadureçam. É o tempo da maturidade. O dilúvio cessou depois de 40 dias (Gn 7.17-24); os israelitas caminharam pelo deserto durante 40 anos para poder alcançar a terra prometida (Dt 8.2-5);  Moisés ficou no monte durante 40 dias (Êx 24.18); Jonas advertiu Nínive de que o julgamento viria após 40 dias (Jn 3.4); Jesus esteve 40 dias no deserto orando para vencer as tentações e preparar-se para o que teria de enfrentar em seu ministério (Mt 4.2); 40 dias separam a ressurreição e a ascensão de Jesus (At 1.3).
Faz exatamente 40 anos que um grupo de homens e mulheres, alguns expulsos, outros perseguidos, ainda outros descontentes com a IPB, se uniu para recomeçar. Havia, naquele grupo, a firme vontade de iniciar “uma nova forma de ser igreja” com propostas diferentes, tais como: compromisso ecumênico, compromisso de se engajar na defesa de direitos e iniciativas por uma sociedade mais justa, o compromisso de que todas as pessoas teriam igualdade de direitos e participação nas instâncias decisórias da igreja. Esses compromissos estão firmados em nossos documentos fundantes:Pronunciamento Social e Princípios de Fé e Ordem, e espero que também nas nossas práticas.
Nesses 40 anos tivemos momentos de grande efervescência, muitas parcerias, encontros, intercâmbios, projetos. Igrejas animadas, cheias de pessoas entusiasmadas. Também enfrentamos muitas dificuldades, gente ou igrejas que vieram junto mas “ficaram com saudades das panelas do Egito” e se foram. Houve críticas por parte de outras igrejas, rupturas, erros e acertos. Mas também muitas pessoas chegaram para colocar mais tijolo nesta construção.
Muitas de nossas lideranças já foram chamadas para estar na presença de nosso Deus. Homens e mulheres que tiveram a coragem de começar algo novo. Prefiro não citar nomes pois sei que vou correr o risco de esquecer de alguém.  Mas que nossos corações não esqueçam de quem foram nossos pais e mães que fizeram esta nova IPU. Fazer memória é preciso: somos herdeiras/os de uma geração de lutadores/as pela coerência da fé. Nossa gratidão a todas elas e a todos eles.
40 anos! Alcançamos a maturidade! Espero de coração que a sociedade brasileira já conheça o nosso rosto. Diante do crescimento do fundamentalismo religioso, diante de tantas ofertas de fé fácil e descomprometida, diante de tantas igrejas bem mais preocupadas com marketing do que com Cristo, meu desejo é que a IPU seja reconhecida por sua fidelidade com o evangelho de Jesus de Nazaré. Aquele cara defendeu a partilha de bens, denunciou o acúmulo de riqueza, ensinou o perdão das dívidas, ensinou a acolher o estrangeiro e a valorizar os humildes, a amar todas as pessoas, até o inimigo, e a celebrar a diversidade. Este Jesus que por sua coerência de vida e de posicionamento tornou-se preso político, foi torturado e morto por ter denunciado um império e uma religião que oprimiam. Esse Jesus que nos apontou para o iminente Reino de Deus que já começou com ele e que pode ser fomentado aqui e agora.
 Que a IPU continue na firme vontade de ser “uma nova forma de ser igreja”. 
Revda Sônia Mota



quinta-feira, 23 de agosto de 2018

ITINERÁRIO DA ESPIRITUALIDADE...


Por: Cláudio Márcio[1]


“A injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo o lugar” (Luther King)

“O que oprime ao pobre insulta ao seu Criador” (Provérbios 14:31)

“Mas não se preocupe meu amigo com os horrores que eu lhe digo. Isso é somente uma canção, a vida, a vida realmente é diferente quero dizer, a vida é muito pior...” (Belchior)
  
Tenho o Senhor bem pertinho de mim, pois, sei que escutas os barulhos da minha existência, logo, realizo uma oração ao Deus da minha vida.  Sigo em frente ouvindo o som da Tua voz que é convite para a justiça e beleza. Meus olhos se enchem de esperança por perceber setores do campo ecumênico produzindo uma práxis libertadora em favor dos direitos sociais de grupos subalternizados historicamente.
Ó Deus, vi Tua face no rosto do humano esquecido na calçada. Confesso que por vezes acho curioso como pessoas religiosas buscam uma experiência com o Senhor olhando apenas para cima. Ora, como isso é possível? Mãos para o alto, olhos fechados... É só isso mesmo “abençoado”? Abram os olhos para que possam conhecer o Senhor. Não olhem apenas para cima, aprendam a olhar para o lado e para dentro.
Ó Deus, será que a Bíblia deles é diferente? Se liga “abençoado”: “ o meu mandamento é este: amem-se uns aos outros como eu os amei” (João 15:12). Ora, “nisto conhecemos o que é o amor: Jesus Cristo deu a sua vida por nós, e devemos dar a vida por nossos irmãos” (1 João 3:16).
Ó Deus, qual imigrante é bem vindo em solo Brasileiro? O “problema” se limita a Latinos Americanos e Africanos? Como bem salientou Ras André Guimarães sobre narrativas bíblicas: “No primeiro testamento Abraão para obedecer a Deus se torna um imigrante. O povo hebreu foi um povo literalmente imigrante e recebe orientação de Deus para não maltratar o estrangeiro. No segundo testamento Jesus ao nascer, segundo o Evangelho de Mateus, se torna junto aos seus pais um refugiado”. Desta maneira, como é possível um cristão xenofóbico?
Ó Deus, o Brasil é marcado por relações sociais hierárquicas que passam pela dimensão do “sabe com quem está falando?” como aponta Roberto DaMatta. Entretanto, convido cada irmão e irmã a lembrar das palavras de D. Paulo Evaristo Arns: “a graça de Deus não esquece ninguém nem se regula por crachás”. Amém!
(Prece feita em 22-08-18)




[1]  Reverendo da IPU de Muritiba (cidade serrana do Recôncavo da Bahia).

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

ITINERÁRIO DA ESPIRITUALIDADE...


Por: Cláudio Márcio[1]



“Deus não é cristão” (Desmond Tutu)
“Sonhar é acordar-se para dentro” (Mario Quintana)
“A justiça engrandece a nação, mas o pecado é uma vergonha para qualquer povo” (Pv 14:34)

Pai-Mãe que nos aceita por completo. Sabes dos nossos medos, angústias e utopias. Imploramos ao Senhor neste dia: tenha compaixão de nós! Almejamos nos envolver com Teu Reino assumindo as lutas dos injustiçados da nação, ou seja, nossa fé é engajada e se revela garantindo direitos humanos.
Ó Deus, quem disse que o Senhor é de uma igreja específica? Quem disse que as praças não são teus altares? Quem disse que a rua não revela Teu nome? Quem disse que os símbolos sagrados são mais sagrados que os humanos?  
Pai-Mãe estamos cansados destes hipócritas nos púlpitos das igrejas. Eles são adoradores do dinheiro e missionários do ódio. Fazem da Bíblia uma ferramenta de dominação de mente e corpos. Todavia, “a profecia não está morta! Ameaçada, mas, viva” como apontou meu amigo Edmilson Schinelo(CEBI).
Ó Deus, após reunião do Fórum Ecumênico ACT Brasil, somos novamente desafiados a produzir uma teologia libertadora e dialógica. Pensando com Frei Betto "Devemos falar com Deus o tempo suficiente para poder escutá-lo”, sim, daí olhamos para as periferias, assumindo processos coletivos, ouvindo vozes dos movimentos sociais, religiosos, acadêmicos...
Sim, Senhor, debatemos, sentamo-nos à mesa, cantamos, dançamos, bebemos, nos emocionamos, avaliamos, planejamos, fomos ao encontro do outro e da democracia ameaçada em nossa nação.  
Sim, Pai-Mãe, os desafios são muitos, porém, as possibilidades também. Não vamos nos calar! Seguiremos firmes com um olhar crítico e comprometido com a defesa da vida. Quem nos ensinou isso? Foi Jesus de Nazaré. Lemos a Bíblia com criatividade, coragem e compromisso coletivo, uma vez que se o olhar para o texto é sempre uma interpretação, isto é, um olhar sobre, quem faz “a melhor leitura”? Quem possui maior legitimidade?
Ó Deus, assumimos este campo de disputa e não iremos retroceder. Que o Espírito Santo renove nossas forças e esperanças, pois, caminharemos unidos, e, como aponta Teresa de Ávila: “Quem ama faz sempre comunidade; não fica nunca sozinho”.
(Prece Feita em 17-08-18)





[1]  Reverendo da IPU de Muritiba (cidade serrana do Recôncavo da Bahia).

domingo, 12 de agosto de 2018

ITINERÁRIO DA ESPIRITUALIDADE...


Por: Cláudio Márcio[1]


“Porque vivemos por fé, e não pelo que vemos” (2 Cor. 5.7)

Ó Deus, sei que encoraja homens e mulheres nos seus sonhos mais belos e difíceis. Sou grato por encontrar-Te na face deles e delas em cada esquina da cidade. Vejo com assiduidade que a fé das pessoas faz com que de PÉ possam enfrentar a vida. Choram, sofrem, lutam, dançam, riem e recomeçam tudo no dia seguinte. O que move esses sujeitos sociais?
 Suspeito que seja a dimensão da FÉ. Isto é, fé, fantasia, sonho, imaginação, sentidos atribuídos nas utopias. Deste modo, razão e fantasia se combinam dizendo quem somos e o que queremos ser e, não menos, o que estamos fazendo se somos cristãos!
Ó Deus, sei que há muito a ser feito. É preciso tomada de consciência e assumir outra postura diante da vida, ou seja, salgar e iluminar esse modelo societário caótico. É preciso coragem e esperança diante dos poderosos da nação. É preciso uma fé revolucionária que caiba luta por justiça, celebração, entretenimento, flores e muita poesia.
Palavra corpórea que é espiritual por ser humana. Como abaliza Frei Betto: “ser humano é lutar pela plenitude da vida”. Sim, leia a Bíblia e ore, pois, se isso é importante para você, qual a razão de não realizar essa prática? Na realidade, vejo que muitos que defendem este exercício de espiritualidade pouco efetivamente fazem isso. Contudo, quero convidar você a somar a dimensão da luta por justiça social.
Ó Deus, até quando irão se enganar querendo uma relação com o Senhor individual e individualizante? Correm para as igrejas e não percebem Tua presença nos jardins e no canto dos pássaros? Como Te encontram sem uma relação de alteridade com o outro ao lado? Como podem se dizer cristãos se são promotores do ódio, da opressão e da violência?
Peço ao Senhor que transforme nossas vidas, pois, temos muitas falhas e somos limitados diante de tantos obstáculos no caminho. Com efeito, na nossa fragilidade colocamo-nos em Tuas mãos. Seguiremos os passos de Jesus de Nazaré em defesa da vida em solo Latino Americano a partir do Recôncavo Baiano. Peço ao Espírito Santo que nos anime e renove a esperança. Logo, “estejam vigilantes, mantenham-se firmes na fé, sejam homens [e mulheres] de coragem, sejam fortes” (1 Cor. 16.13).
(Prece feita em 10-08-18)




[1]  Reverendo da IPU de Muritiba (cidade serrana do Recôncavo da Bahia).

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

ITINERÁRIO DA ESPIRITUALIDADE...


Por: Cláudio Márcio[1]


“Antes tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei MATUTE de dia e de noite” (Salmos 1.2\ Bíblia do matuto).

Ó Deus, trago na cabeça a memória da esperança. Suas promessas sinalizam que a última palavra será sempre as que saem dos teus lábios. Meu compromisso que é inadiável é estar em sua presença!
Ó Deus, sei que “uma nova mudança em breve vai acontecer”. Sei também que seu chamado reorganiza minha maneira de pensar o mundo. Pai-Mãe ajuda-me a “ver, julgar e agir”, ou seja, preciso produzir uma teologia prática a partir do chão onde piso.
Uma abordagem sócio-teológica da Bíblia que suspeite das aparências e que gere de maneira efetiva uma práxis da recriação imagética dos sonhos, pois, “o novo sempre vem”, assim, ao propor que “Deus é brasileiro e anda do meu lado”, torna-se indispensável outra experiência comigo mesmo e com o outro, isto é, “amar e mudar as coisas me interessa mais”.
Ó Deus, nosso “feijão com arroz” também é prato do Senhor. Nosso “samba, reggae” balança teus pés. Nossa “capoeira” também faz teu corpo gingar. Pai-Mãe faço essa prece a partir do território do Recôncavo da Bahia. Aqui nossa liturgia precisa tornar-se corpo, logo, ensina-me que fé-festa não é antagônico a fé-luta.
Lemos a Bíblia cotidianamente, porém, é preciso problematizar: é o suficiente? Melhor dizendo: como lemos e ou devemos olhar o texto sagrado? MATUTAR nele dia e noite significa também ser capaz de fazer (re)leituras de maneira responsável, crítica e, não menos, criativa.
Ó Deus, concordo com Júlio Zabatiero ao sinalizar: “Dentre os muitos desafios que temos de enfrentar, um dos mais importantes hoje em dia é o da imaginação de outro tipo de crente. Imaginar, criar imagens de, figurar, desenhar, sonhar, formar”.
Lembro Senhor aos meus irmãos e irmãs da IPU que nos princípios de Fé e Ordem em relação ao texto bíblico diz: “as Sagradas Escrituras são o padrão de doutrina e ética. A IPU reconhece, contudo, diante delas, o direito a diferentes posicionamentos exegéticos e teológicos os quais, sob a influência de condicionamentos históricos, culturais e sob a orientação do Espírito Santo, transformaram-se e se transformam de acordo com as necessidades dos homens e passaram a constituir verdadeiro patrimônio espiritual da Igreja Cristã”.
Trago na mão a Bíblia e a pimenta! Peço a Deus que lembre a cada irmão e irmã da IPU sua dimensão profética e encorajadora, amém!
(Prece feita em 06-08-18)


[1]  Reverendo da IPU de Muritiba (cidade serrana do Recôncavo da Bahia).

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

ITINERÁRIO DA ESPIRITUALIDADE...


Por: Cláudio Márcio[1]



“Jó, PRESTENÇÃO e me escute; fique em silêncio, e falarei” (Jó 33:31-Bíblia do matuto).


Deus amoroso que orienta-nos na jornada, escutei esses dias duas narrativas que se complementam de irmãs da comunidade de fé. Ambas disseram mais ou menos assim: “há momentos em que pensamos que o sol já brilhará para encerrar a tempestade, mas, ela não acaba”. “Senhor, abençoa as pesquisas na área da saúde para que descubram a cura para doenças terríveis que tem afetado pessoas que tanto amamos”.
Senhor Deus, fui extremamente tocado por essas palavras, pois, como Ministro da Palavra e dos Sacramentos sou limitado. Não sou um herói! Sou demasiadamente humano!  Por vezes, tenho muito medo e não tenho todas as respostas.  A existência é difícil! Tenho muita fé-dúvida! Vem me socorrer!
Entretanto, meus pés não se cansam de ir à Tua direção, ou seja, onde os humanos se encontram em meio a suas dores e esperanças. Nosso choro tem regado nossas utopias mais belas. Somos valentes e teimosos! Somos caminhantes desejosos de um paradigma societário mais justo e igualitário.
Pai-Mãe tenha piedade de nós, pois, confiamos em suas promessas.  A Bíblia sinaliza “Lancem sobre ele toda a sua ansiedade, porque ele tem cuidado de vocês” (1 Pedro 5:7). Este fragmento tem sido uma realidade profunda em nossas vidas. Cremos que Tua vontade será realizada na terra quanto no céu. Cremos que a graça de Jesus de Nazaré nos basta!
Desta maneira Deus, mesmo no dia em que o “sol se esconder”, cantarei louvores a Ti. Mesmo que a tecnologia, a política e os interesses mercadológicos interfiram no processo de saúde de pessoas que amamos, não tirarei meus olhos de Ti.
Renovo minha fé profética para lembrar aos mercenários da saúde que seu “sangue não é azul” e que UM DIA podem “precisar se desfazer de todo vil metal” em busca de “um gole de vida”. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.
(Prece feita em 24-07-18)



[1]  Reverendo da IPU de Muritiba (cidade serrana do Recôncavo da Bahia).

quinta-feira, 19 de julho de 2018

ITINERÁRIO DA ESPIRITUALIDADE...


Por: Cláudio Márcio
[1]


“Portanto, que os homens orem e louvem em todo lugar, levantando as mãos, sem se irar e sem ARENGAR” (1 Timóteo 2.8\ Bíblia do matuto)
Ao Senhor que cuida de nós, mesmo em dias que o sol insiste em se esconder. Sei que não estou sozinho. Minha dor é temporária, ó Eterno.
Vejo a fé dos meus irmãos e irmãs e reflito: preciso confiar e perseverar em sua presença, pois, fez promessas para mim e iniciou uma linda obra em minha vida.
Sou extremamente agradecido, Pai-Mãe. Sei que não sou merecedor. Sei cada vez mais que sua Graça me tocou, logo, não posso me calar. Não posso não te servir.
 És a razão de minha existência. Cantarei ao teu doce nome todas as manhãs. Quando chegar o final do dia, junto às minhas irmãs estrelas, me sentirei seguro sabendo que estou onde queres que eu esteja.
Ó Deus, sei que não És cristão, portanto, que eu te experimente nas ruas e praças. Que sejamos unidos na diversidade. Que a mesa da fraternidade seja lugar de partilha de esperança. Que a linguagem da Babel gananciosa seja eliminada pela nova gramática do Espírito Santo.
Preciso de uma nova vida que só o Senhor pode me oferecer. Aqui, novamente, reconheço a cruz como prova de amor por mim. Recrio-me diante do seu poder. Junto a tantos homens e mulheres desejo construir a OIKOUMENE.
Na mesa da comunhão só não há um lugar, isto é, não tem lugar para ninguém recebendo as migalhas que caem no chão.
(Prece feita em 16-07-18)



[1]  Reverendo da IPU de Muritiba (cidade serrana do Recôncavo da Bahia).

segunda-feira, 16 de julho de 2018

ITINERÁRIO DA ESPIRITUALIDADE...


Por: Cláudio Márcio[1]


“Sendo assim, não se AVEXEM dizendo: que vamos comer ou beber? Ou o que vamos vestir?” (Mateus 6:31\ Bíblia do matuto).

Ó Deus, não sei como será o dia de amanhã, mas, confio em Ti. Sigo caminhante contigo ao som da Tua voz. Confesso Senhor: nem sempre ela é audível nas comunidades eclesiásticas.
Não se trata apenas de uma linguagem e ou gramática com imensa dificuldade de comunicar.
Penso aqui a partir do exercício da COMPAIXÃO, isto é, como sugere a narrativa bíblica de Êxodo: “Vi o sofrimento do povo” e no Evangelho quando abaliza: “eram como ovelhas que não tem pastor”.
Ó Deus, quando entenderão que pertencer a Ti não se limita a ir para igreja? Pensam que o Senhor anota na caderneta nossa frequência? Se estamos lendo a bíblia ou orando?
São cegos em seus rituais vazios. Não sabem que vosso Deus cuida de pássaros e flores? Esqueceu que se o Senhor não guardar a cidade em vão vigia a sentinela? Não se lembram que sem fé é impossível agradar a Deus? Deixou de perceber que agindo Ele ninguém pode impedir?
Se chora hoje lembre-se de sorrir amanhã. Tudo podemos quando Ele é nossa fortaleza. Sim, com Jesus de Nazaré somos mais que vencedores.
Ó Deus, a experiência contigo deve nos humanizar. Ensina-nos a ser militantes do Reino de justiça. Que a bíblia seja lida garantindo os Direitos Humanos. Pai-Mãe: que entre os objetos litúrgicos e o humano, escolhamos a vida em sua diversidade.
(Prece feita em 13-07-18)




[1]  Reverendo da IPU de Muritiba (cidade serrana do Recôncavo da Bahia).

quinta-feira, 12 de julho de 2018

ITINERÁRIO DA ESPIRITUALIDADE...


Por: Cláudio Márcio[1]


“Orai sem ARREDAR O PÉ” (1 Tessalonicenses 5.17\ Bíblia do matuto)

Pai-Mãe de toda criação e bondade, recordei nesta manhã que aqui em Muritiba (na infância) alguns colegas faziam “armadilhas” para prender passarinhos com o visgo da jaca, assim, por vezes, tinham êxito.
Hoje penso que o fenômeno religioso pode ser lido como “esse visgo da jaca” e que meus colegas seriam representações de sacerdotes religiosos.
Ó Deus, rememoro ainda que muitos pássaros escapavam da armadilha. Sim, como sinalizou Rubem Alves: o pássaro encantado não pode ser capturado, isto é, quando se prende torna-se empalhado.
Tu És o MISTÉRIO que só conheço mediante a fé, logo, minha crença não consegue não te perceber afastado do rosto humano multifacetado. Isto é, essa REALIDADE ÚLTIMA ocorre em corpos plurais.
Contudo, Senhor. Minha narrativa sobre a bíblia são como “bagos de jaca” que alimentam e alegram as pessoas. Se o visgo da religiosidade tem impedido de sentir o cheiro e sabor, peço desculpa. Se minhas mãos estão “meladas e nojentas” que Teu óleo possa me purificar.
Que Tu sejas como nossa jaqueira bonita e forte no dia da tribulação. Em Tua sombra quero proteger-me. Fazer piquenique e sorrir como e com as crianças. Pai-Mãe, a jaca só frutifica no momento certo, assim, ensina-me a ter paciência e perseverança.
Ó Deus, confio em suas promessas e não serei confundido. Se falam do Senhor como: rocha, monte, pedra, sol, nuvem...qual a razão de não poder “ser” jaqueira no chão do Recôncavo?
Pai-Mãe, que o BAGO NOSSO DE CADA DIA não nos falte hoje, amém!
(Prece feita em 12-07-18)



[1]  Reverendo da IPU de Muritiba (cidade serrana do Recôncavo da Bahia).